DE VOLTA AO RUMO

Por Felipe Miranda & Equipe

Hoje posso voltar a falar de valores mobiliários especificamente. Já estava com saudades.

Então, recuperada a capacidade de exercer minha própria profissão, vamos selecionar aleatoriamente um valor imobiliário para comentar nesta segunda-feira.

Escolhendo assim ao acaso, vamos falar de Rumo, aquela ação que irresponsavelmente recomendei há cerca de 18 meses, estimando potencial de valorização de até 400 por cento em três a cinco anos e que subiu cerca de apenas 150 por cento desde então.

Apesar da alta vigorosa em 2017 (+85 por cento) e nos últimos 12 meses (+98 por cento), as ações da companhia têm caído sem comedimento em dezembro (-13 por cento), pressionadas por temores envolvendo a renovação da Malha Paulista. A realidade insiste em sua linguagem desmedida.

De forma simples e direta, ANTT publicou documento exigindo alguns ajustes frente à proposta original de renovação da concessão em questão, de modo a incorporar contribuições coletadas em audiência pública. A maior preocupação concerne à eventual necessidade de contemplar antigas contingências, como processos trabalhistas desde 2002.

A reação do mercado aos apontamentos da ANTT me parece bastante exagerada. Primeiro porque a maior parte dos pontos já havia sido devidamente endereçada pela própria Rumo, com estudos previamente concluídos e enviados à agência reguladora.

Além disso, não há muita razão para crer na não-renovação da concessão. Possivelmente, estamos falando de algum pequeno atraso, sem impacto material sobre o valuation. Rumo é o nome óbvio para ficar com a concessão, que é central para o call de desenvolvimento da infraestrutura brasileira – a confirmação do cenário poderia inclusive destravar outros projetos de infra e pagamento antecipado para o Governo, obviamente interessado neste ponto em épocas de ajuste fiscal. O contrato assume renovação no vencimento; logo, não podem relicitar agora. É uma negociação entre Rumo e agência. A empresa já atendeu as demandas novas do governo e o TCU já enviou relatório para o Senado sem contestação.

E para completar, na eventualidade de ocorrer o pior cenário (baixa probabilidade) e não haver renovação, os impactos materiais sobre o valuation de Rumo são menores do que o ventilado nos últimos pregões. Há de se lembrar que o contrato vence em 2028 e que, do total de volume transportado pela Rumo, só açúcar está na região da Malha Paulista – algo como 5 milhões de toneladas de um total de quase 25 milhões, sendo que a maior parte do açúcar da região é da Cosan; ainda que perdesse a concessão, ainda teria direito de passagem (note, porém, que esse cenário é de baixíssima probabilidade).

Resumidamente, portanto, eventos recentes não são positivos, mas passam longe de representar qualquer ameaça material ao racional de Rumo. Ao contrário, tomaríamos a queda recente como uma excelente oportunidade de compra.

Empresa está redonda e deve entregar algo como 2,750 bi de reais de Ebitda em 2017 e 3,200 bi de reais em 2018. Negocia, assim, a cerca de 8,5x EV/Ebitda 2018, contra pares globais na casa de 10x. Tendo endereçadas questões de alavancagem (dívida líquida/Ebitda na casa de 2,5x) e com mais crescimento, não encontramos razão para o desconto. Risco do negócio muito mais controlado agora, com contratos de take or pay dando muito mais previsibilidade ao resultado e estrutura de capital mais conservadora.

Há riscos? Claro que há, como em qualquer coisa que a gente faz na vida. Intensidade de capital, sensibilidade à curva de juros, alta correlação com as condições sistêmicas, possibilidade de ser afetada por eventuais quebras de safra, incerteza regulatória e por ai vai. Mas todos eles devem ser tratados com leveza. O potencial de valorização associado mais do que compensa os riscos do case.

Às atuais cotações, Rumo é um “screaming buy”, uma daquelas oportunidades que gritam “compra” como uma excelente promoção de Natal. Se eu não fosse uma pessoa muito comedida, diria que é pra raspar e encher o carrinho.

Mercados iniciam a semana com tom mais positivo, embalados por acordo dos republicanos sobre texto do pacote de redução de impostos nos EUA. A perspectiva de maior crescimento dos lucros corporativos injeta ânimo sobre Wall Street e espraia otimismo pelo mundo.

Commodities sobem no exterior e dólar cai contra as principais moedas, em dia de maior disposição a risco. Petróleo se aproxima da marca de 58 dólares/barril com redução das sondas de perfuração nos EUA. Minério de ferro se valoriza com vigor na China.

Internamente, destaque para o IBC-Br, em alta de 0,29 por  cento em outubro, acima das projeções de estabilidade. IPC-S (+0,34 por cento, em linha com projeções), IGP-M (+0,88 por cento, contra 0,81 por cento esperado) e relatório Focus completam a agenda local. Temos ainda vencimento de opções sobre ações na B3 e nova prévia do Ibovespa.

Ibovespa Futuro registra alta de 1 por cento, juros futuros cedem e dólar cai ligeiramente contra o real.

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