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Principais partidos do Reino Unido sofrem duro golpe em eleições locais por frustração com Brexit

LONDRES (Reuters) – Eleitores ingleses frustrados com o impasse em torno do Brexit puniram o Partido Conservador, da primeira-ministra britânica, Theresa May, e a principal sigla de oposição, o Partido Trabalhista, em eleições locais, segundo resultados divulgados nesta sexta-feira.

Os números da eleição de quinta-feira são mais um sinal de como o referendo britânico de 2016 para romper com a União Europeia dividiu o eleitorado para além do partidarismo tradicional, mas também são um primeiro indício do estrago que o Brexit fez nos dois grandes partidos.

    O Brexit abalou a reputação dos grandes partidos, ambos divididos internamente quanto a como ou até se conduzirão o país para fora da UE, que tiveram dificuldade para transmitir uma mensagem coesa aos eleitores dos dois lados.

    “Parece os eleitores, ponto final, dizendo: ‘Uma praga sobre as casas de ambos’”, disse John Curtice, importante especialista em pesquisas do Reino Unido.

    A frustração transbordou em alguns momentos. Um membro da plateia gritou “Por que você não renuncia?” antes de May discursar a conservadores no País de Gales. Algumas cédulas foram danificadas, já que alguns eleitores se recusaram a votar em qualquer uma das siglas.

    Com 90 por cento das urnas apuradas, o Partido Conservador havia sofrido uma perda de 1.124 assentos em conselhos ingleses locais nos quais buscava se reeleger —cerca de um quarto das vagas. Os trabalhistas, que normalmente esperariam conseguir centenas de assentos em uma votação de meio de mandato, ao invés disso perderam 100 deles.

    O maior beneficiário da indignação com os dois principais partidos foi o Partido Liberal-Democrata, que fez campanha exigindo abertamente um segundo referendo visando reverter o Brexit. Por ora eles conseguiram 599 conselheiros, dobrando suas cadeiras. Os Verdes, que também apoiam um segundo referendo sobre o Brexit, ganharam 164 assentos.

    O Partido da Independência (Ukip) pró-Brexit perdeu assentos, mas seu ex-líder criou um novo Partido do Brexit, que pediu a seus apoiadores para ficarem em casa ou danificarem suas cédulas.

    O Reino Unido deveria ter saído da UE em 29 de março, mas como o Parlamento rejeitou várias vezes o acordo de May sobre os termos da separação, ela foi forçada a buscar uma prorrogação.

    Agora o Brexit está previsto para outubro, e May negocia com os trabalhistas para encontrar um meio-termo. Mas não há expectativas de que as conversas da próxima semana rompam o impasse.

    Os resultados sugerem que os dois partidos principais podem levar uma surra nas eleições do Parlamento Europeu no dia 23 de maio, em que o Reino Unido terá que participar por não ter conseguido deixar o bloco até agora. Os conservadores e os trabalhistas enfrentarão uma gama de partidos que atraem seus ativistas com posições explicitamente pró e anti-Brexit.

    (Reportagem adicional de James Davey)