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Promotor de Justiça do Gaeco fala sobre reflexos da saída de chefes de facção criminosa da região de Presidente Venceslau

Após quase quatro meses da transferência para presídios federais dos principais chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC) que estavam na Penitenciária 2, em Presidente Venceslau, e no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), em Presidente Bernardes, na região de Presidente Prudente, no interior do Estado de São Paulo, a organização criminosa continua ativa, porém, seu comando central se mantém "neutralizado" e com suas decisões estratégicas "paralisadas".

A afirmação foi feita ao G1 pelo promotor de Justiça Lincoln Gakiya, membro do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE), em entrevista em Presidente Prudente.

Em um balanço, Gakyia afirmou ao G1 que “a situação está relativamente tranquila” e “sob controle”.

“Nós monitoramos desde meses antes de ser feita a remoção para evitar qualquer tipo de repercussão negativa dentro dos presídios ou mesmo nas ruas”, lembrou o promotor.

O promotor contou que foi feito um mapeamento dos primeiro, segundo e terceiro escalões da organização criminosa e que a remoção, de certa maneira, pelo menos momentaneamente, “desarticulou o comando da facção”.

Sem registros de motins nas unidades prisionais, Gakiya creditou a situação ao trabalho realizado por todos os envolvidos antes e depois das remoções.

“Não houve nenhum atentado, não houve nenhuma rebelião em presídio depois das remoções, então, a gente entende que as remoções, até agora, foram um sucesso”, afirmou ao G1 o promotor.

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Gaeco (Foto: Wellington Roberto/G1)

Nova liderança
Depois da transferência de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o principal chefe do grupo, e mais 21 integrantes da facção criminosa, investigações identificaram possíveis substitutos na P2 de Presidente Venceslau.

Os três indivíduos, já considerados líderes da facção criminosa, também foram removidos para o sistema federal em operação integrada entre os governos federal e estadual realizada no último dia 15 de maio.

Em nota ao G1, a Secretaria da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo (SAP) informou “que três presos, líderes de uma facção criminosa, custodiados em São Paulo, foram transferidos no dia 15 de maio para o sistema penitenciário federal”.

“O isolamento de lideranças é estratégia necessária para o enfrentamento e o desmantelamento de organizações criminosas”, afirmou a SAP ao G1.

Estratégias paralisadas
A organização criminosa “continua ativa”, segundo colocou Gakiya ao G1.

“O que foi neutralizado foi o comando central dela [facção criminosa], as decisões estratégicas estão paralisadas”, afirmou.

“Agora o andamento de um todo da facção, em termos de venda de droga, de compra, isso ainda continua, mas a gente está trabalhando para diminuir esse poder. Claro que não se tem a pretensão de acabar com isso da noite para o dia, mas creio que algumas medidas podem ser feitas, e estão sendo feitas, para diminuir o poder de atuação dessa facção no Estado”, explicou ao G1.

Atentos
As lideranças mais fortes estavam presas na Penitenciária 2, cuja transferência ocorreu em fevereiro deste ano, e as três últimas foram removidas no mês passado. “Mas não quer dizer que não surjam outras, que outras não sejam nomeadas, mas a gente está trabalhando para identificar isso”, salientou.

“Se surgirem novas lideranças e a gente identificar, certamente a gente vai tomar medidas no sentido de isolar essas lideranças”, destacou ao G1 o promotor.

Desta forma, o monitoramento da facção continua pelas forças de segurança para identificar novas lideranças que possam surgir e evitar que ordens continuem entrando e saindo das unidades prisionais e chegando até os faccionados em liberdade.

“Se estiverem em liberdade, tirar de circulação, prendê-las, condená-las. Aquelas que estiverem dando ordem dentro do sistema têm que ser isoladas, seja aqui no CRP [Centro de Readaptação Penitenciária], em Presidente Bernardes, seja em presídios federais”, pontuou ao G1.

Megaoperação de transferência
A remoção de integrantes da facção criminosa das penitenciárias da região de Presidente Prudente ocorreu após o governo estadual ter descoberto um plano de fuga para os chefes da facção e ameaças de morte ao promotor Lincoln Gakyia, bem como ataques contra o coordenador de presídios Roberto Medina e o diretor Luiz Bizzoto.

No dia 13 de fevereiro deste ano, os governos federal e de São Paulo transferiram Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e mais 21 integrantes da facção criminosa para presídios federais. Os presos estavam na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau e em Presidente Bernardes, no interior do Estado, e foram levados para unidades de Brasília (DF), Mossoró (RN) e Porto Velho (RO).

À época, Gakiya afirmou que a remoção isolou os primeiros escalões da facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios, com ramificações internacionais, e ponderou que "o Estado se preparou”.

A megaoperação de transferência foi autorizada pela Justiça e envolveu representantes do Ministério Público e de forças de segurança do governo paulista, além das forças armadas.

As informações são do G1/Prudente. 

Por Portal Bueno

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